A vida teimando em me dar a mesma lição... Culpa minha ou culpa da vida???

Apego e perda, são duas palavras que sempre andaram juntas na minha vida, não podia admitir estar sem alguém, estar sozinha era uma luta, tinha que sempre estar acompanhada. Durante toda a minha vida procurei a dependência, achando que estar com alguém teria a segurança de que tudo estaria sob controle. Mas a vida teimou em me dar a lição. Como achar que estar sozinha seria bom? Seria impossível acreditar que a solidão traz lindas reflexões. Um dia, sentada no grande pátio da mansão de um amigo, olhando os patos conversando entre eles em um lago, um grande sábio brasileiro, cidadão do mundo, me disse: “Você só será feliz o dia que se sentir bem com você mesma. Tudo vem para melhor. O que rolar vai ser para seguir o caminho que é seu e que você tem que seguir. Não fique angustiada, não espere nada do exterior. Siga teu mestre interior, tome tuas próprias decisões sem se importar com o mundo externo. Através do teus olhos, você vê um lindo mundo.“ Nossa, me lembro dessas palavras até hoje, aliás nunca tinha conseguido entendê-lo, senão até o dia que perdi o meu marido. Só nesse dia, minha alma se conectou com a minha verdadeira espiritualidade, e com a verdadeira razão da vida.
Foi nesse dia que passei a perceber que não era necessário estar com alguém para ser feliz, aliás, às vezes é melhor estar sozinha do que com alguém. Foi através da solidão que comecei a descobrir meus prazeres, minhas inspirações, meus desejos mais íntimos, sem me influenciar pelos desejos do Outro.
Como dizia, a vida teimou em me dar a lição do apego e da perda. Perdi sempre que tentei possuir, pensando que aquilo estava destinado para mim, que era MEU, como se eu fosse dona. Esqueci que se se ama algo, deve deixá-lo em liberdade. Essa é a única forma de fazer parte de algo.
Passei, então, a observar a criação dos filhos, as relações de casais e comecei a me preocupar. Comecei a perceber que a maior parte das pessoas tentam controlar a vida das outras pessoas, tentando jogar os desejos deles nos desejos dos demais. Foi daí que comecei a me inquietar. Hoje tenho certeza que uma relação de amizade, de casal, de amigos, de pais e filhos são relações que devem somar. Não é relação de divisão, nem de somatória. Um deve caminhar ao lado do outro. Zero expectativas, zero frustrações. É tão bom viver assim, é mais prazeroso, se sente uma paz interior impressionante. Quantas vezes quis que o meu companheiro fizesse o que eu achava que deveria fazer? E quantas vezes achei que eu deveria fazer o que ele fizesse. Estar nos mesmos lugares, participar de todos os eventos juntos. Nossa, hoje me arrepio de tanto desespero. Bom, foi dessa reflexão que entrei em outra reflexão: Viver o Hoje. Como diz Julieta Venegas: “el presente es lo único que tengo el presente es lo único que hay...” Mas aí já é muita reflexão... melhor deixar pra outro dia, né!

Carlos Drummond de Andrade, escreveu: “A dor é inevitável. O sofrimento, opcional”.

Comentários

  1. Carol, uma vez eu indaguei a uma senhora sobre como acontecem certas coisas na vida que nos fazem sofrer. Ela me disse que há coisas que não foram feitas para serem compreendidas, uma delas é o sofrimento humano, elas foram feitas para serem superadas. Lembro até hoje de suas palavras: "Quando você come um peixe deixa suas espinhas no prato, pois, se tentar mastigá-las vai se ferir. Assim é a vida, há coisas que devem ser deixadas de lado para evitar maior sofrimento, não por covardia, mas por sabedoria." Passei muito tempo pensando no que ela me disse, e hoje, sigo seu conselho.
    Um dia, vc olhe para trás e ver que as feridas sararam, e as cicatrizes tornaram imperceptíveis. Somente vc saberá que elas estão ali, mas elas não te incomodarao tanto. É como se fizessem parte da tua identidade.
    Beijos, Maria

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O ciclo das rosas

Navegante por esses mares...Caravelas....