quarta-feira, 16 de abril de 2014

Notas

No meu mundo imaginário, eu tocava. Era a melhor forma de fugir de mim mesma. Eu adorava entrar na melodia e ficar navegando por horas naqueles sons que sempre me inspiravam. Eu escrevia e tocava. O órgão, era ele o responsável por manter meu desejo de continuar. Na verdade, fazia tudo isso pela minha vovó. Eu adorava tocar pra ela. E ela adorava me ouvir tocar. Não havia forma melhor de fazê-la feliz que tocar. Ela cantarolava todas as músicas, por mais que ela não conhecesse. 

Ela inventava os sons e os sons inventavam a melodia. E era essa a forma de falarmos que nos amávamos com toda nossa alma.

Eu tocava pra ela e tocava pra fugir de mim.

E eu gostava de ouvir as notas musicais fazendo da música uma arte. E na inspiração, novas claves de sol se  formavam e a melodia flutuava por ela mesma.

Eu não queria mais fugir. E no final, a música só me aproximava.


E era assim, minha família musical me fez melhor com esse órgão, que passou a ser parte de mim, pela minha mãe que o trouxe. Eu nas tardes vazias, eu tocava. Não para fugir de mim, mas para me encontrar.

quinta-feira, 21 de março de 2013

A casa mágica de vovó e de vovô




Jabuticabeira, cheiro de casa de vovó, doces de goiaba feitos com as goiabas que vovó mandava vovô pegar do pé que havia na casa, arvores de limão, ameixas. Subir no pé e ficar horas contemplando a paz de estar lá. Férias, fins de semana. Assim foi minha infância. Tive a sorte de ter dois avós que representavam a figura perfeita de casa de vovó. Estavam sempre lá, bonzinhos, carinhosos, acolhendo as dores da existência e ajudando a me tornar quem eu pretendia ser.
Essas lembranças são minhas, mas compartilhadas com todos os outros atores que participaram das cenas da casa da vovó Martha e do vovô Elias. Ainda sinto o cheiro, ouço as vozes, as cenas são tão reais na minha memória.
Lembro dos abraços, do sorriso que vovó dava ao me ver chegando no portão. E eu que duvidava que existiam anjos na terra. Eles eram.
Agora que os dois se foram, reluto em não perder as lembranças, não quero que elas fiquem guardadas no porão da minha consciência. Elas precisam viver porque eu sou essas memórias.
Quero que minha filha saiba o que vivi, que conheça os cantos da casa em que brincava, me escondia,  sorria e chorava. Era lá que eu era o que queria ser. Inventava personagens, fugia dos medos e me acolhia no aconchego dos braços de vovó.
Ainda lembro das tardes em que ficava horas conversando com minha vovó, ouvíamos aqueles programas de fim de tarde, rezávamos na hora de comer, e ela se deliciava em cozinhar aqueles pratos que só vovós sabem fazer. E vovô sempre lá, molhando o pãozinho no café com leite, brigando com vovó e vovó brigando com vovô. Mas não se largavam. Eram tudo o que precisavam ter.
Ainda ouço vovó dizer: “minha netinha linda” e com aquela paz me fazer acreditar que tudo sempre dava certo. Que as pessoas eram boas. E vovô me ensinando o significado real da integridade, do ser justo, do saber ajudar. E fazendo as piadinhas costumeiras e dizendo “mil” com aquele sotaque de espanhol, que só alguns entendem.
Os almoços de nhoque de domingo, os churrascos unindo toda a família (aqui um abraço apertado a todos aqueles que tem isso em suas memórias), são essas lembranças reais, guardadas em fotos que tenho e que não quero perder. Conhecendo tios que não conhecia, primos que se perderam nos caminhos diferentes de vida, mas que eu ainda vejo na minha memória. Queria poder ter um diário invisível e saber de cada um deles, o que fizeram de suas vidas... agora que não estamos mais tão juntos.
E era assim, semestres que se passavam esperando dramaticamente o poder passar férias lá na Vila Matilde. E abrir o portão da casa mágica que um dia só poderei lembrar se guardar apertado na minhas lembranças de casa de vovó.
Agora eles se foram. Mas estão aqui comigo. Porque não posso ser nada  sem eles.
O barco partiu e chegou do outro lado da ilha, onde vivem em paz, sem dores. E meu barco fica aqui, sendo reflexo desse outro barco.  Isso é só uma pontinha do que eles foram para mim.
A casa mágica da vovó Martha e do vovô Elias.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Agora existem como parte...

Pois quero falar das raivas, dos medos, das vontades incontroláveis, forças que paralisam, resignação. Por anos escondi essas palavras num fundo de um cofre interno, chaves perdidas, ficaram lá por muito tempo, até dizer, preciso sair.
Por que ter medo de falar que já senti raiva, medo, resignação, tristeza? ou dor? Esses sentimentos inconscientes vao se tornando parte, a medida que me conheço mais. E não fujo mais deles, como antes fazia. Agora olho, respiro, escuto, analizo, resplandeço. Não mais critico. Deixo-os vir. Eles, às vezes, chegam devagarzinho, tomam conta. Outras vezes, chegam como tempestade, varrem o chão.
Mas a diferença? É que agora os aceito como parte de mim.

De tanto que escondi, eles cresceram. Agora que os aceito, eles são pequenos, frágeis, desmancham diante de tanta coragem. Agora são eles que fogem, porque já não encontram forma de existirem ou ficarem. Não se encaixam mais em nenhum lugar, mas estão sempre livres para chegarem. Ou ficarem. Mas sempre se vão.

Melhor falar de Esperança...

Não vou mais falar de medos, porque me importo pouco com eles. Eles massacram qualquer esperança de que a vida é melhor do que já é. Fazem-nos acreditar que temos muito.
Preenchem-nos com vazios, poucos retratos coloridos. Arco íris de uma cor só.
Melhor falar de esperança, asas da liberdade. Elas, embora frágeis, acolhem o céu. Voam alto num infindável azul de sonhos.
A esperança preenche. O medo esvazia.
Quando falo de esperança, não só vôo, mas levo outros comigo.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Desejos internos de mim...

Tenho me sentido confusa. Uma mistura de vontade, desejos e tensão. Tenho me cobrado muito a sentir algo que não sei sentir. Me forço a quebrar barreiras, vencer traumas e não postergar confrontos.
Quero coisas fáceis, odeio o díficil.
Me sinto nua, mas com coragem. Como se o mundo fosse vencer todas as forças cruéis da existência terrena. E eu somente assistir.
E vão- se os anjos, decorados de cintilante, espalhando esperança onde não mais existe. E ficam- se as memórias, as saudades, as vontades, desejos internos de mim.
E por falar em desejos, aqueles que sempre sonhei. Me desfigurar por completo, ser eu mesma quando assim quiser e permitir. Sem medos, sem armas, sem máscaras. De frente para o espelho olhar a verdadeira alma e nunca mais me enganar ou fingir.
Posso ser várias. O que me importa? O que te importa? Posso transcender, ser mulher ou menina, ter medo do escuro ou inventar a luz. Não minto, sou forte. Não vim para enganar nem mentir.
Não tenha pena, a solidão aqui existe, nada preenche por mais profundo que seja.
Não tenha pressa, mas seja rápido. Não seja príncipe ou rei.
Escute a prece, não grito. Sussuro só para você ouvir.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Quando lia contos de fadas...

“Quando lia contos de fadas, eu imaginava que aquelas coisas nunca aconteciam, e agora cá estou no meio de um! Deveria haver um livro escrito sobre mim, ah isso deveria! E quando for grande, vou escrever um.”

Alice no país das maravilhas (Lewis Carroll)




Ás vezes, achamos que uma crítica pode paralisar uma ação. Mas muitas vezes, a crítica pode ser um impulso para a superação.

Essa história começou em 1994, quando eu descobri que as palavras não eram palavras e sim, sentimentos.

Tinha 14 anos, prestes a sair do ensino fundamental e ir para o ensino médio e nessa época, assim como hoje, adorava escrever. Escrevia sobre tudo. Quando não podia falar, por ter sido uma garota tímida na infância, escrevia. Meus dois hobbies sempre foram a escrita e a música. Tocava e escrevia. Tudo aquilo que poderia ficar no silêncio de mim mesma e do mundo. E só sentir. Assim são as palavras pra mim.

Nessa época tinha uma grande amiga, que também adorava escrever. E tínhamos uma professora, carrancuda, que acreditava que somente aprenderíamos se não respirássemos na sala de aula. Era uma hora à base do medo e das dúvidas, porque a qualquer momento poderia acontecer algo que mudasse o rumo da matéria daquele dia. Mas nada disso importava porque eu adorava escrever. Estudava português, lia e escrevia com o mesmo prazer que se sente ao comer um brigadeiro. Adorava a arte das palavras que sempre caminhavam naquela folha de papel formando sílabas, palavras, frases, textos, poesias e canção.

Assim me sentia, dançando nas nuvens, ou com um trompete no céu, abrindo caminho para os anjos. Isso era escrever naquela época.

E no último bimestre do ano, já com os pés no ensino médio, acreditando poder encontrar um novo ciclo em apenas mais alguns dias, porém algo aconteceu. A cada dois meses, a professora nos dava um livro para ler, formaram-se os grupos e cada equipe deveria escrever uma resenha- análise daquele livro. Nesse grupo, eu e minha amiga, detentoras da escrita, ficamos responsáveis por fazer todo o trabalho. O restante do grupo somente observou.

Os dias se passaram e a análise foi concluída. Entregamos o trabalho como se fosse uma obra- prima. Orgulhosas do que havíamos feito.

No dia da entrega final do trabalho, toda a classe esperava ansiosamente suas notas. Os alunos sempre tremiam nesse dia, afinal a professora era muito exigente. Mas eu adorava escrever. Adorava aquela aula. E tínhamos certeza do que havíamos feito.

Os representantes dos grupos foram chamados um a um. Transpirávamos nesse momento. E de repente a surpresa. Eu e minha amiga, as representantes do grupo, fomos chamadas na frente da sala. Ufa! Ela teria reconhecido nosso trabalho como o melhor da sala. Ficamos alegres por dentro. Mas daí veio a bomba. Tiramos zero. Isso mesmo, zero. E na frente de todos os nossos amigos, fomos acusadas de não termos feito o trabalho sozinhas e sim, ajudadas por nossos pais. Era impossível alguém daquela idade escrever tão bem a respeito de um livro.

Totalmente constrangidas, e sabendo internamente da nossa verdade, fomos chorando na coordenação. Escola rígida, dirigida por freiras. A diretora também freira nos atendeu com má vontade e nos disse que deveríamos falar com a professora. E naquele dia, soubemos que existiam muitas injustiças no mundo.

Foi desde então que decidi que escreveria para o resto da minha vida. Mas não simples palavras. Deveria ser algo com sentido para mim. Algo profundo. Algo que pudesse tocar com o coração. E que nenhuma lágrima poderia me tirar a minha arte.

Era algo simples poder imaginar que uma professora deveria se orgulhar de ver duas alunas tão estudiosas se superarem em um trabalho. Porque as palavras são públicas, elas deveriam ser utilizadas com maestria. E foi o que fizemos. E foi o que tentamos dizer. Então aprendi que não basta querer dizer com palavras. Se não pudesse chegar no coração daquela professora rude, que não entendeu o sentido das coisas.

Anos se passaram e aquela historia se repete todas as vezes que devo voltar àquele colégio para votar. Todos os oito anos de estudos se resumiram a esse evento, que mesmo se pudesse, nunca borraria do coração. Porque de verdade eu aprendi naquele dia que ninguém tiraria o grito se eu quisesse gritar, o choro se eu quisesse chorar, ou o riso se eu quisesse gargalhar. E aquele que se transformou no dia difícil da juventude, ensinou-me que o outro deveria ser referência externa, mas se eu estivesse com o coração tranquilo, ninguém poderia me julgar. Eu sou minha referência.

Naquele dia, também aprendi que a força da palavra é maior, porque tantos anos se passaram, quase 20, e eu continuo a escrever.

Porque eu não escrevo palavras, eu escrevo sentimentos.

Impossível deixar de dizer que eu dedicaria a minha escrita àquela professora malvada que me fez entender que quando se tem algo para dizer, basta fechar os olhos, imaginar um conto de fadas, ou uma história de detetive ou uma situação qualquer feita com princesas, soldados, delegados, ou qualquer personagem real ou fictício. Afinal, aqueles que viveram minha historia, seja na vida real ou imaginária, merecem meu devido respeito.

Para aqueles que estão na minha vida ou que participaram dela por segundos, horas, dias ou anos, dedico a minha música. Porque de verdade sempre achei que palavras juntas soam igual canção, e nos levam para aonde queremos estar. E numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo...



"Que os sensíveis sejam também protegidos. Que sejam protegidos todos os que veem muito além das aparências. Todos os que ouvem bem pra lá de qualquer palavra.Todos os que bordam maciez, no tecido áspero do cotidiano."



Ana Jacomo

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

La tequila mexicana

Texto escrito em 18 de abril de 2005, voltando do Mexico city.

Ai vão as novidades do Mexico....Y viva los Mariachis, las tequilas...los tacos y los guzanos (quem quiser saber o que é isso, me perguntem...eu nao provei, mas o meu marido sim. Argh!).

Chegamos na terça feira, hotel 5 estrelas. Piscina, sala de ginastica. Homens de negócio circulando no hall 24 horas. Mexico, cidade urbana misturando com a imagem dos Mariachis. Pais de terceiro mundo com cara de

primeiro. Primeira noite...comida...Tacos. e tequila....sem alcool para mim, ja que estou com gastritis.

Segundo dia, city tour. Marido trabalhando. Impressionante a mistura de centro da cidade com resquicios da cultura azteca. Ruinas das construções e da história de uma civilização de mais de 2.000 anos. Palacio do Governo pintando com as obras de arte de Diego Rivera representando seu eterno amor por Frida Kahlo e as armaguras de um socialismo revoltante. Comunismo. Raiva, opressão, luta de classes. Toda uma histórias nas paredes do palacio do poder. Como uma cidade urbana guarda tanta história. Impressionante aos olhos dos turistas. Jantar profissional. Marido trabalhando em jantar de negócios. Eu, acompanhante. Restaurante típico ao som dos mariachis.

 
Terceiro dia... marido trabalhando. Andar pela cidade. Andar e andar na cidade dos carros, da poluição, do ar seco, penetrante. Esculturas em todas as esquinas. Cidade onde o dinheiro vale a sua felicidade. Noite típica,

Hotel sheraton. Bar dos Mariachis. Viva! Que voz....que perfeição técnica. Que dança com a voz.... E mais Frida Kahlo....e mais tequila.

Quarto dia....marido de férias... Pirâmides. Há uma hora da cidade de 25 milhões de habitantes, o passado se estabelece no presente. Pirâmide do Sol, daLua. Incrível..o Increíble. Mais tequila para compreender a história da civilização azteca. Pirâmides sendo escavadas. Novas descobertas.....Á oite...mais tacos e tequilas.(lembrem-se...gastritis no país da tequila, do hile, da pimenta.... é sofrimento puro).

Quinto dia.... Piscina do hotel. Quase olimpica. Despedida dos Mariachis, da ua de mel, do marido perfeito em férias, do clima seco que transpassa os ssos, das pirâmides, das obras de Frida Kahlo e Diego Rivera. História,
paixão, poder, país de terceiro mundo. Pesos. Pesos que compram a elicidade. E o melhor de tudo. Acompanhada ao som dos violões dos mariachis e ncantando com o perfume do meu marido.

Entenderam a felicidade

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Anjos tatuados no jardim.. no meu jardim.

No meu jardim moram anjos, duendes, orquídeas e borboletas. Enfeitam o espaço com a mais linda decoração. Quando chove, escondem-se numa fresta de uma das árvores mais antigas. As orquídeas ficam. Elas adoram os pingos da chuva. Os anjos não molham suas asas. Os duendes escorregam na lama, um pouco molhada. As borboletas esperam passar.


Quando o sol aparece, todos saem a respirar o frescor molhado e suave do vento. Sacodem suas asas, limpam suas vestes e continuam a enfeitar.

Eles sempre estão lá. Pouco saem para passear. Gostam de proteger e de espiar.

Todos os seus nomes estão tatuados no meu jardim. São todos de lá. Não querem sair. Não querem me deixar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

De que cor é feita a "saudades"?

De que cor é feita a "saudades"? Se eu a pudesse enfeitar, a cobriria de purpurina. Disfarçaria todas as suas nuances. Ninguém nunca descobriria. Vestiria com uma fantasia rosa ou lilás. Colocaria pétalas de rosas. Enfeitaria com flores perfumadas. Trajes coloridos.

Que sabor ela tem? Seria algo como algodão doce. Tão doce, de tão saboroso. Colocaria muito chocolate.
Caldas de framboesa. Ou maracujá. Enfeitaria com granulado. Te confundiria com o doce no paladar. 

Que cheiro ela teria? Te enebriaria com o perfume mais suave. Teria o cheiro daquele vinho mais descansado. Você seria capaz de fechar os olhos de tão fantástico sentir o cheiro do luar. Das ondas quebrando no mar.

Se ela tivesse cor, seria lilás. Se tivesse sabor, seria doce. Se tivesse cheiro, seria suave.

Mas isso é só imaginação, porque a "saudade" não é suave, nem doce, nem lilás. Ela dói. Transforma. Arrebenta.

Mas ela um dia acalma. E o coração fica em paz.

De que cor é feita a "saudades"?


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Define-se Luz!

Sei muito de mim. Às vezes me perco, mas me defino num caminho de infinitas possibilidades e flores incontidas de tanto brilhar num vaso espelhado.
Não sei se quando escrevo toco as estrelas ou mergulho no mar. Me perco. Mas me encontro, porque da liberdade venço meus medos e vôo a caminho do ilógico, do improvável, do irreverente.
Brilhos.
Ando perdida por aí. Às vezes sorrio, às vezes corro. Não sei bem quando é o tempo das coisas. Mas elas acontecem. Sem razões, explicações, deduções. Sem matemática, nem história. Virou um conto.
E de novo me perco, porque da perda, vem o confronto. Essas dores profundas salvam uma alma. Ela desperta.
Quem caminha desperto, ganha a oportunidade de perder a escuridão. Define-se luz.
Me permiti me perder. Me permiti duvidar. Me permiti pedir ajuda. Me permiti me encontrar.
E me perdi. De novo.
Ocorreu um erro neste gadget