A dona da História... um rascunho antes de partir pro Equador

O dono da História é você?


Eu sempre gostei de escrever, mas em muitas cenas da minha vida, eu preferi que outras pessoas escrevessem por mim. Estou falando da minha vida. De escolhas. Portas. Sinto-me feliz em saber que hoje tenho uma caneta nas minhas mãos e que sou a dona da história. Da minha história. Tenho o poder de decisão sobre os meus passos, sobre as palavras que escrevo nesse papel e que por mais erradas que sejam, são as que consegui escrever. A caneta está em meu poder.


Abstrato ou concreto? Certo ou errado? Real ou irreal?


Quando eu falo de portas, quero me referir às diversas oportunidades ou escolhas que batem às nossas porta e que muitas vezes, nos causam insegurança, medo, receio, pé atrás. E que nessas situações, são poucas as vezes que podemos voltar atrás e corrigir o que fizemos de errado (que achávamos que era o certo naquele momento). Mas nesse caso, me sinto tranqüila. Porque eu fiz e era assim que tinha de ser. Pior é aquela situação em que nos arrependemos por não termos feito. E aí? Aí viveremos a culpa por não ter feito, por não ter sido feliz, por não ter aceitado o novo emprego, largado o velho e arriscado pelo novo...por não ter largado tudo por um grande amor (que pode ser aquele que é eterno enquanto dure), por não ter arriscado, com medo de escorregar, cair, falhar, perder, sofrer.

E aí?

Hoje assisti um filme belíssimo. A dona da história. Por coincidência, a personagem principal era Carolina. Era eu. Sentia-me uma expectadora participante como se as palavras fossem minha vida interpretada numa tela grande. De lá, eu podia ver as cenas e corrigi-las. As minhas decisões.


Lembrei-me que em muitos momentos eu tinha tomado decisões, das pequenas às maiores possíveis. E essas decisões impactavam em escolhas. Era tudo uma questão de portas, abertura e fechamento. Ciclos. Houve portas que abri e não fechei. Outras que fui obrigada a fechar. E outras ainda que fechei com orgulho de virar a chave e entregá-las ao Destino. Ao passado. Guardado no esquecimento.


Houve momentos em que eu magoei. Outros em que fui magoada. Mas sobrevivi.


De repente, aquelas cenas relatam a historia de uma historia que poder ser. Ou não ser.


No filme, Carolina pode ver o seu futuro e ao mesmo tempo, o seu passado. Duas Carolinas se encontram, tomam forma e se conversam. Quantas vezes em nossa vida conversamos conosco? Quantas vezes refletimos sobre o que estamos fazendo com nossas vidas, nossas histórias? Dizemos que não temos tempo, que temos muito trabalho, muito estudo, muitos compromissos, agendas lotadas. Tudo é desculpa para não se deparar com a Carolina nova, aquela que cobra aquilo que gostaria de ter sido.



Durante as cenas, Carolina se indaga se ela era aquilo que ela gostaria de ter sido. Você é? A Carolina do filme era.

No Domingo, assisti um filme chamado Diário de uma paixão, em que um casal, Ellie e Noah, apaixonam-se loucamente e vivem uma historia de amor marcada por paixão, sonhos e separação. Os pais de Ellie não aceitavam essa união, por ser Noah um rapaz pobre. Ellie aceita viver longe de Noah e por muito tempo, sofrem calados. No final, reencontram-se e se entregam ao sonho do primeiro e único amor. O sentimento presente era raiva, indignação. Por que Noah não lutou por Ellie? Por que não foi atrás dela? Por que apenas esperou a sua volta, como se só o Destino tivesse que agir? Quando acabou o filme, senti que estava mais disposta por lutar pelos meus sonhos, pela minha felicidade. E ai, de repente, a Dona da historia me mostra que eu sou a dona da minha historia. E que só eu posso escrevê-la. Ninguém mais.


Por que deixar outra pessoa escrever a sua história, quanto você tem a caneta para escrevê-la?

Voltando para casa, caminhei olhando para os rostos das pessoas, tentando ver dentro delas se elas eram as donas das historias. Me perguntava: será que ela decide a vida dela ou deixa que outros façam por ela? Em alguns olhos, baixos, estavam a resposta.



Desculpem-me. Exagerei. Queria apenas compartilhar esse momento de reflexão que estou vivenciando. Me sinto feliz, tranqüila e em paz de saber que hoje eu posso escrever. E que se eu não quiser mais, posso apagar. Mas as marcas sempre estarão lá. Pelo menos, eu escrevi. Certo ou errado, só eu poderei dizer quando a Carolina presente encontrar a Carolina passado. Pelo menos eu fiz. E você?




20/10/2004

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